Passeio revela histórias escondidas na antiga ferrovia de Campo Grande

Quem caminhar pela antiga Noroeste vai ouvir histórias de quem fez Campo Grande crescer

| THAILLA TORRES / CAMPO GRANDE NEWS


Um dos 41 murais do Museu de Arte Urbana – Casa Amarela retrata memórias da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. (Foto: Guido Drummond)

Nos dias 2, 7, 8, 12 e 13 de agosto, o Museu de Arte Urbana – Casa Amarela promove o Locomotiva de Histórias, roteiro literário gratuito que convida o público a percorrer a antiga Noroeste enquanto ouve relatos inspirados na vida de ferroviários, familiares e passageiros da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

A experiência é conduzida pela escritora e pesquisadora Tatiana De Conto, que narra até oito histórias durante cada percurso. Os textos foram construídos a partir de entrevistas e pesquisas, transformando memórias reais em narrativas literárias.

'Em cada encontro irei narrar até 8 histórias. Inspiradas em histórias reais de ferroviários, familiares e usuários da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, as narrativas unem oralidade, literatura e artes visuais em uma experiência de turismo literário cultural. Queremos que as pessoas caminhem por um livro vivo, escrito sobre o território', explica.

O roteiro passa pelos 41 murais da galeria de arte urbana instalada na antiga estação. As pinturas foram criadas por 38 artistas, sendo 35 sul-mato-grossenses e três muralistas mexicanos, sob idealização do artista visual Guido Drummond.

'Queríamos tirar essas histórias de trás dos muros e devolvê-las à cidade. Agora, cada mural passa a ganhar uma nova camada de significado ao dialogar com as narrativas e, futuramente, com os QR Codes', afirma.

A proposta surgiu da percepção de que parte da memória ferroviária corre o risco de desaparecer com o passar do tempo.

'Não apenas fazemos parte da história de Campo Grande, ajudamos a construir a cidade. Quando um ferroviário parte sem registrar suas lembranças, perdemos também um pedaço dessa identidade. Projetos como este mantêm viva essa memória e aproximam as novas gerações da história da ferrovia', destaca Nelson de Araújo, presidente da Associação dos Ferroviários Aposentados e Pensionistas (Afapedi).

Segundo Tatiana, o projeto inaugura o conceito de Literatura de Patrimônio, que transforma depoimentos em pequenas histórias capazes de despertar pertencimento.

'Em um outro projeto fizemos a produção audiovisual para preservar fatos e depoimentos. Já com a literatura de patrimônio utilizamos recursos que ressoam no narrador para construir uma narrativa capaz de despertar pertencimento e identidade. De entrevistas de até 90 minutos foi possível construir histórias de cinco minutos, mantendo fidelidade aos relatos e criando uma experiência literária.'

A caminhada é apenas parte da iniciativa. No dia 29 de agosto, a Casa Amarela lança o site oficial do projeto e disponibiliza o acervo audiovisual com as narrativas em vídeo, acessíveis também por QR Codes instalados nos murais.

'A ideia é que qualquer pessoa possa acessar essas histórias a qualquer momento. O percurso termina na rua, mas a memória continua disponível para quem quiser revisitá-la', completa Tatiana.

Programação:

  • 2 de agosto (domingo), às 9h
  • 7 de agosto (sexta-feira), às 9h
  • 8 de agosto (sábado), às 18h
  • 12 de agosto (quarta-feira), às 15h
  • 13 de agosto (quinta-feira), às 10h e às 16h

Local: Estação Casa Amarela (Rua dos Ferroviários, 118, Cabreúva)

Inscrições: gratuitas, com 15 vagas por sessão, pelo WhatsApp (67) 99189-7034.



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