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Textor cita empresa nas Ilhas Cayman em proposta, e impasse perdura entre SAF e Botafogo
Empresário propôs aportar R$ 127 milhões, desde que o investimento seja atrelado à emissão de novas ações da SAF; associativo aguarda parecer de consultor
| GLOBOESPORTE.COM / BáRBARA MENDONçA
Uma carta publicada na terça-feira por John Textor movimenta os bastidores do Botafogo. No texto, o americano propôs aportar US$ 25 milhões (R$ 127 milhões) no futebol alvinegro, investimento que seria atrelado à emissão de novas ações da SAF. Nesta proposta, há menções a uma empresa nas Ilhas Cayman, e o impasse entre a SAF e o clube social perdura.
Conforme apurou o ge, o banco BTG Pactual — que atua como consultor financeiro do associativo, presidido por João Paulo Magalhães Lins — ainda não emitiu um parecer sobre a nova proposta. A diretoria do social, por consequência, não informou a representantes da SAF se pretende assinar os documentos que autorizam o processo de capitalização.
O que foi proposto por Textor?
O empresário americano apresentou uma carta-proposta de um investimento de US$ 25 milhões (cerca de R$ 127 milhões, na cotação atual), estruturado como um aporte de capital próprio (equity). Ou seja: a SAF do Botafogo receberia a verba e, em contrapartida, haveria a emissão de novas ações.
Na proposta publicada na terça, Textor cita que o clube social manteria seus 10% de participação na SAF. A injeção de recursos na SAF aconteceria em troca de ações ordinárias, que dão direito a tomada de decisões em empresas. A Eagle Bidco, detentora das ações e que tem o fundo Ares como principal credor, ainda não consentiu por escrito com mudanças societárias.
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Quais são os detalhes desse investimento?
Na proposta enviada ao clube social, John Textor menciona um Contrato de Compra e Venda (SPA, na sigla em inglês) com data de 26 de janeiro de 2026. Nesse contrato, SAF Botafogo e Eagle Bidco (ambas representadas por Textor) acertam a transferência de aproximadamente US$ 40 milhões em créditos financeiros (antecipação de valores com promessa de pagamento futuro) e uma participação majoritária de 90% nas ações.
Segundo o empresário, tudo isso seria repassado à Eagle Football Group, empresa criada nas Ilhas Cayman, em outubro de 2024, para consolidar os interesses dos clubes em nome do processo de entrada na Bolsa de Nova York. A transferência, no entanto, só pode acontecer se for aprovada por todas as partes, entre elas a Ares, principal credora da Eagle Bidco.
Quem é quem nessa história?
A Eagle Bidco é a empresa subsidiária da Eagle Football Holdings, sediada na Inglaterra, que detém a propriedade dos clubes da rede. Seria ela a vendedora das ações à Eagle Football Group, esta sendo a empresa constituída nas Ilhas Cayman. Ou seja: a atual controladora do Botafogo venderia a SAF para outra empresa, que assumiria o controle das ações.
Como o investimento e a transferência das ações se relacionam?
Nos termos do SPA, consta que a Eagle Football Group (empresa compradora nas Ilhas Cayman) se comprometeria a injetar US$ 50 milhões em até cinco anos a partir da data de transferência das ações.
Os US$ 25 milhões prometidos por Textor em carta pública na terça seriam a primeira parcela do montante.
Além disso, a empresa nas Ilhas Cayman seria responsável por quitar os US$ 40 milhões de créditos recebíveis junto à Eagle Bidco, empresa vendedora, até 31 de dezembro de 2026.
Se a Eagle Bidco está sob administração judicial, como pode haver mudanças?
Fontes ligadas à SAF alegam que há validade jurídica na proposta de transferência às Ilhas Cayman, desde que haja o consentimento da Ares, visto que o documento inicial é datado de 26 de janeiro. A administração judicial na Eagle Bidco, comandada pela empresa Cork Gully, só foi instaurada em março.
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O que Textor pede ao clube social?
O empresário americano, em carta, pediu ao clube social que assine outro documento relacionado à capitalização, enviado na última semana de janeiro. Textor quer receber o sinal verde de que o dinheiro emprestado pelos investidores GDA Luma e Hutton Capital — verba que foi usada para sanar o transfer ban — poderá ser convertido em participação acionária no futuro.
E se o social não assinar?
Na prática, caso o clube social não assine a capitalização, os novos US$ 25 milhões poderão ser depositados no Botafogo em forma de empréstimo. Nesse caso, não haveria nova divisão das ações da SAF, mas aumento da dívida.
Para isso, bastaria a maioria dos votos no Conselho de Administração, assim como ocorreu na verba advinda dos investidores GDA Luma e Hutton Capital. À época, John Textor conseguiu aprovar a entrada da quantia com a maioria dos votos; o ex-presidente Durcesio Mello, representante do associativo no Conselho, se absteve.
Atualmente, no entanto, fontes da SAF acreditam que o clube social protestaria contra a validade da dívida em cenários de falência. Ou seja: há o temor de injetar novas quantias como empréstimo devido a um risco de que o dinheiro não seja recuperado posteriormente.
A postura do clube social nos bastidores é a de concordar com o parecer do consultor financeiro. A SAF, por sua vez, deseja que o clube social assine o documento e cesse negociações com a Ares. Fontes próximas a Textor entendem que, caso a Ares conteste a validade da assinatura, já que o americano não possui poderes atuais como diretor da Eagle Bidco, o assunto pode ser resolvido por vias jurídicas.
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