Moradores temem que bacia de contenção na Capital vire “novo Brumadinho”

Local que deveria ser uma solução para alagamentos tem gerado uma série de novos problemas

| JUDSON MARINHO E RAíSSA ROJAS / CAMPO GRANDE NEWS


Local onde a obra de contenção água de chuvas foi realizado no bairro Nova Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

Moradores do bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande, relatam preocupação crescente com a obra de uma bacia de contenção de águas pluviais que, segundo eles, apresenta abandono e riscos estruturais.

O temor, inclusive, é de que o local possa se tornar um “novo Brumadinho', em referência ao desastre ocorrido na queda de barragem na cidade de Brumadinho (MG).

  • Leia Também
  • Em show de imprudência, criança é flagrada em teto solar de carro em movimento
  • Incêndio com chamas altas atinge antigo motel desativado

A estrutura foi construída como parte de um projeto de drenagem no fundo de vale do Córrego Imbirussu, iniciado em 2023, e prevê capacidade para armazenar mais de 53 mil metros cúbicos de água da chuva.

No entanto, moradores afirmam que o que deveria ser uma solução para alagamentos tem gerado uma série de novos problemas.

Antes, a principal reclamação era o excesso de poeira provocado pelo tráfego intenso de caminhões durante as obras. Hoje, o cenário mudou: o mato alto tomou conta da área, acompanhado de lixo descartado irregularmente, presença de andarilhos e aumento da insegurança.

Síndica de um condomínio vizinho ao local, Eliany Mary Guimarães dos Santos, de 48 anos, relata que o problema da poeira chegou a provocar mudanças de moradores.

“Se não fosse o mato, a terra entraria toda para dentro do condomínio. Tivemos moradores que saíram por causa disso, e não afetava só os apartamentos da frente, mas todo o bloco', afirma.

Segundo ela, o espaço próximo ao lago virou ponto de descarte irregular de resíduos. “Jogam móveis, roupas, garrafas e até animais mortos. Ficou uma área abandonada', diz. A vegetação alta também tem facilitado a entrada de pessoas em situação de rua e o aparecimento de animais peçonhentos.

A preocupação maior, no entanto, é com a segurança da estrutura. “Ali só tem terra em cima de terra. Não tem pedra, não tem malha. Quando chove forte, a água escorre do mesmo jeito. A gente fala em ‘Brumadinho’ porque o medo é real de um desmoronamento', alerta.

Moradora há 40 anos da região, a aposentada Maria Gonçalves da Silva, de 73 anos, afirma que a situação piorou com o tempo. “Virou uma imundice. Tem sapo por todo lado. A gente precisa jogar água no quintal todo dia por causa da poeira, e a conta vem alta', relata.

Ela diz que, durante o período mais intenso das obras, a poeira era constante. “Era poeirão o dia inteiro, e não fizeram nada. Até hoje continua, só diminuiu um pouco,' completa.

O casal Rodolfo Ramon Ortogoza, de 70 anos, e Ana Evelia Alvarenga, de 66, que vive no bairro há mais de três décadas, também enfrentou dificuldades.

“A gente molhava a frente da casa direto para diminuir a poeira. Teve vizinho que colocou tela na casa por causa dos sapos', conta Rodolfo.

Apesar dos transtornos, nenhum dos moradores entrevistados entrou com ação judicial até o momento.

Em 2024, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou, por meio de assessoria, que os problemas com poeira estavam relacionados às obras da bacia e que medidas poderiam ser adotadas para minimizar os impactos.

Agora, com a mudança no cenário, moradores cobram novas providências e fiscalização mais rigorosa na área. Para eles, a obra que deveria trazer segurança hídrica se transformou em motivo de apreensão diária.

A reportagem entrou em contato com a Sisep sobre o abandono do espaço relatado pelos moradores, mas até o momento não recebemos retorno referente à manutenção da bacia de contenção de águas pluviais.

Confira a galeria de imagens:



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE