Análise: Palmeiras recupera liderança, mas desperdiça chance de coroar mais a noite de Arias

Equipe perdeu o controle da partida após fazer 2 a 0, com um jogador a mais, e poderia ter emplacado vitória mais imponente sobre o Botafogo

| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE


Arias comemora gol do Palmeiras contra o Botafogo — Foto: Marcos Ribolli

– Faltou matar o jogo antes.

A fala de Jhon Arias sintetiza o sentimento sobre a atuação do Palmeiras na vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo, na última quarta-feira, no Allianz Parque. A equipe teve muito volume ofensivo, mas, com um jogador a mais, perdeu o controle de um jogo que poderia ter marcado a grande atuação de 2026.

Para o jogo, que acabou recolocando o Verdão na liderança do Campeonato Brasileiro, Abel Ferreira contou com o elenco praticamente completo. Só Paulinho, em fase de condicionamento físico, seguiu fora dos relacionados. Vitor Roque e Murilo retornaram após dois jogos no departamento médico, e o zagueiro até iniciou a partida entre os titulares.

Se o Palmeiras sentiu falta do Tigrinho nos últimos dois compromissos, dessa vez o ataque funcionou com muitas alternativas. Maurício e Allan participaram muito, enquanto Flaco, convocado para a seleção argentina, teve mais uma atuação interessante. Outra grata surpresa foi Arthur, seguro na ausência de Piquerez e já parece ter passado Jefté como reserva imediato.

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O nome do jogo, contudo, foi Jhon Arias. E já estava na hora. A torcida começava a pegar no pé do colombiano, que tinha sete jogos sem marcar desde que foi apresentado na Academia de Futebol, mas, na quarta-feira, ele começou a calar os críticos.

Apresentou um grande cartão de visitas no primeiro tempo, iniciando a jogada do gol de Allan e assustando a defesa do Botafogo com chutes perigosos de fora da área. Ele também foi protagonista no lance da expulsão de Medina, fato que deixou o Palmeiras mais à vontade na partida no primeiro momento.

No segundo tempo, veio a consagração: um gol com a marca registrada do colombiano, carregando a bola na tranquilidade e finalizando de pé esquerdo para vencer o goleiro Raul.

– Meu primeiro gol com essa camisa, é sempre marcante, ainda mais diante de um bom resultado como é o Botafogo, um jogo difícil. No final a gente sofreu mais do que deveríamos sofrer, mas feliz porque cumprimos nosso objetivo, agora é melhorar no que faltou, mas feliz pelo meu primeiro gol – completou Arias.

Tudo corria muito bem, até que o time diminuiu o ritmo quando poderia ter feito mais. Com o pé no freio, o Verdão viu o adversário crescer e diminuir o placar com Danilo, cria da Academia de Futebol, que não comemorou em respeito ao ex-clube.

O gol saiu do mesmo jeito que os últimos dois sofridos pelo Palmeiras: muita liberdade do condutor da bola para avançar e um pivô que encontra brecha na defesa. É algo a ser corrigido por Abel Ferreira nas próximas partidas e pode ser explicado pela ausência de um volante mais marcador.

A tese ganha ainda mais força quando se analisa a atuação da defesa do longo dos 90 minutos. Gómez e Murilo foram soberanos e ajudaram muito na saída de bola. Giay é tão inconstante quanto Khellven e destoou.

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Depois do gol, um clima de tensão totalmente desnecessário para as circunstâncias do jogo pairou no Allianz Parque. As mudanças de Abel até oxigenaram o time, especialmente a entrada de Evangelista no meio-campo, mas a defesa custou a conter o ímpeto do Botafogo. Foi assim até os minutos finais, mesmo com a vantagem numérica do Palmeiras e os espaços aparecendo para contra-ataques.

É mais um jogo que a equipe perde fôlego no segundo tempo. Foram 60 de alto nível e outros 30 com mais sorte do que juízo. Para os "resultadistas", os três pontos em casa recolocam o Palmeiras na briga pela liderança antes de um clássico de briga direta pela primeira colocação. Os mais céticos veem um time que consegue resultados positivos, mas não convence.

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