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Kompany, técnico do Bayern, sai em defesa de Vini Jr. e critica Mourinho: "Erro enorme"
Treinador belga diz que o português errou também ao citar Eusébio, ídolo do Benfica. "Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960?"
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
Kompany, técnico do Bayern, concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira e se manifestou sobre a acusação de racismo feita por Vini Jr. no jogo entre Real Madrid e Benfica, na última terça-feira, em Portugal, pela Champions. O brasileiro afirmou que o argentino Prestianni o chamou de macaco.
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O ex-jogador belga de 39 anos, primeiro, saiu em defesa do brasileiro. Em seguida criticou duramente o comportamento de José Mourinho, técnico do Benfica.
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"Quando você analisa a jogada e como o Vini reagiu, essa reação não pode ser fingida".
- Dá para ver que foi uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e assumir toda a culpa. Naquele momento, ele achou que era a coisa certa a fazer - disse o belga.
Kompany, então, comentou a entrevista dada por José Mourinho após a partida, quando o português criticou a comemoração de Vini Jr. ao marcar o gol da vitória do Real por 1 a 0, no duelo de ida dos playoffs da Champions. O técnico do Bayern criticou, inclusive, o fato de Mourinho ter citado Eusébio, ídolo do Benfica.
- Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança.
- Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini... - disse Kompany.
Ex-jogador, com passagem de sucesso pelo City, Kompany é um dos poucos técnicos negros na elite do futebol europeu. Em levantamento feito pelo ge em novembro do ano passado, somente quatro dos 96 times das principais ligas europeias eram comandados à beira do campo por um treinador negro. Em 2021, quando dirigia o Anderlecht, da Bélgica, sofreu racismo vindo dos torcedores do Brugge durante uma partida.
A denúncia de racismo
O episódio ocorreu logo depois de o brasileiro marcar um golaço e abrir o placar para o time espanhol no segundo tempo do confronto, no Estádio da Luz, em Lisboa.
A comemoração de Vinicius após o gol, diante da bandeirinha de escanteio e perto de uma torcida organizada do Benfica, gerou reclamações dos jogadores do time luso e iniciou uma confusão no gramado. Vini, inclusive, foi punido com um cartão amarelo por parte do árbitro francês François Letexier.
Após os ânimos se acalmarem, e o jogo ser encaminhado para ser reiniciado, Vini Jr. se indignou com uma manifestação vinda da lateral do campo por Prestianni e fez uma denúncia de racismo para o juiz. Mais uma vez, uma confusão generalizada se formou.
O árbitro imediatamente acionou o protocolo antirracismo previsto pela Uefa e paralisou a partida. O jogo ficou parado por cerca de 10 minutos, enquanto Vini foi amparado por companheiros como Mbappé e Tchouaméni. O técnico do Benfica, José Mourinho, foi um dos que conversou com o brasileiro. Membros das duas comissões técnicas discutiram muito em meio à confusão.
A torcida do Benfica, então, passou a xingar em coro o astro brasileiro - que também teve objetos arremessados em sua direção. A partida foi retomada normalmente, e Vini passou a ser vaiado a cada toque na bola. Mbappé foi outro que passou a ser muito vaiado. A súmula da partida trará o relato oficial do árbitro François Letexier.

