Rota da Celulose começa com plano emergencial de reparos em 150 km de rodovias

Plano apresentado ao governo inclui ações imediatas de conservação, segurança viária, atendimento ao usuário

| JHEFFERSON GAMARRA E FERNANDA PALHETA / CAMPO GRANDE NEWS


A concessionária Caminhos da Celulose apresentou nesta segunda-feira (2), no auditório da Governadoria, em Campo Grande, o planejamento técnico e operacional para o início da concessão da Rota da Celulose. A apresentação marca o início formal da operação privada sobre 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais e detalha as primeiras ações previstas, com destaque para a execução de reparos emergenciais em 150 quilômetros de pavimento nos primeiros 100 dias de contrato.

A concessão envolve trechos das rodovias MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267, formando um corredor logístico considerado estratégico para o escoamento da produção industrial e agropecuária do Estado, especialmente do setor de celulose, além de conectar polos produtivos, centros urbanos e regiões de fronteira.

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Na apresentação institucional, a Caminhos da Celulose afirmou que a assinatura do contrato inaugura uma nova etapa para a infraestrutura rodoviária sul-mato-grossense, com foco em logística, segurança viária, desenvolvimento econômico e sustentabilidade. O projeto foi estruturado para combinar investimentos em obras com presença operacional contínua, conservação permanente e comunicação direta com os usuários das rodovias.

A Caminhos da Celulose é formada por um conjunto de empresas com atuação em infraestrutura, concessões e execução de grandes obras. O consórcio é composto por XP Infra, CLD, Ética, Conter, Caiapó, Conster e Disbral, que passam a responder conjuntamente pela recuperação, operação, manutenção, conservação e ampliação da capacidade do sistema rodoviário concedido.

Plano emergencial para os primeiros 100 dias

O eixo central da apresentação foi o plano de ações emergenciais a ser executado nos primeiros 100 dias de concessão, período definido pela empresa como fundamental para melhorar de forma imediata as condições de segurança e trafegabilidade das rodovias.

O principal item é o reparo emergencial de pavimento em 150 quilômetros, voltado à correção de defeitos que impactam diretamente a segurança dos usuários, a estabilidade da pista e o conforto da viagem. Segundo a concessionária, esses serviços têm efeito direto na redução de riscos de acidentes e no desgaste dos veículos.

Além do pavimento, o plano de 100 dias prevê:

  • Roçada, poda e capina em 2,1 milhões de metros quadrados da faixa de domínio, ampliando a visibilidade e reduzindo riscos;
  • Revitalização de 22.500 metros quadrados de sinalização horizontal, com pintura de faixas e marcas viárias;
  • Reparo ou reposição de 490 metros quadrados de sinalização vertical, incluindo placas;
  • Implantação ou reposição de 5 mil tachões refletivos, reforçando a sinalização noturna;
  • Limpeza de sistemas de drenagem em 100 quilômetros, prevenindo acúmulo de água sobre a pista;
  • Remoção de 10 mil quilos de lixo e entulho ao longo das rodovias;
  • Reparo de 1.680 metros de defensa metálica, elemento essencial para contenção e segurança viária.

A concessionária destacou que essas intervenções iniciais buscam entregar estradas mais seguras desde o primeiro momento da operação privada.

O plano emergencial também inclui cuidados específicos com obras de arte especiais e dispositivos de segurança. Estão previstas ações de recuperação e reforço de guarda-corpos, barreiras do tipo New Jersey e passeios de pedestres, com foco em locais críticos da malha.

Segundo a apresentação, a recuperação desses elementos corrige danos estruturais existentes e amplia a proteção para motoristas, pedestres e equipes operacionais que atuam na rodovia.

Conservação, drenagem e visibilidade

Outro ponto detalhado foi o conjunto de ações de limpeza e conservação, consideradas essenciais para a preservação do pavimento e para a redução de acidentes. A concessionária informou que a limpeza e recuperação dos sistemas de drenagem visam evitar infiltrações, aquaplanagem e deterioração precoce da pista.

As ações de roçada e limpeza da faixa de domínio também têm como objetivo melhorar a visibilidade dos usuários e reduzir riscos associados a obstáculos e à presença de resíduos na via.

Atendimento ao usuário e presença operacional

A Caminhos da Celulose informou que, paralelamente às obras e serviços iniciais, será implantada uma estrutura de atendimento ao usuário. O plano prevê a criação de canais de comunicação, como telefone, site e serviço de informação ao usuário, além da instalação de uma sede administrativa e de um Centro de Controle Operacional (CCO).

Segundo a concessionária, a proposta é garantir presença contínua ao longo de toda a jornada do usuário, com suporte e resposta rápida a ocorrências nas rodovias concedidas.

Obras e melhorias ao longo da concessão

No médio e longo prazo, o projeto prevê um conjunto amplo de intervenções estruturais. De acordo com a apresentação, estão programados:

  • 456,87 quilômetros de implantação de acostamentos, garantindo que toda a malha concedida conte com esse dispositivo;
  • 103,07 quilômetros de duplicações, distribuídos ao longo dos primeiros anos;
  • 254,80 quilômetros de faixas adicionais, implantadas conforme a evolução do tráfego.

As intervenções estão organizadas em cronograma que se estende do segundo ao décimo ano do contrato, com previsão de novas obras entre o 11º e o 30º ano. O projeto também prevê monitoramento permanente de 43 subtrechos, com contadores automáticos de veículos, permitindo ajustes futuros, como novas duplicações, faixas adicionais e contornos urbanos.

Infraestrutura operacional e fiscalização

A estrutura operacional inclui a implantação de 13 Serviços de Atendimento ao Usuário (SAU), três Postos de Parada e Descanso, bases operacionais, adequações e construções para a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Rodoviária Estadual, além de postos de fiscalização da Agência Estadual de Regulação (Agems) e da Secretaria de Fazenda (Sefaz).

Tecnologia e operação do sistema

A concessão também incorpora tecnologia aplicada à operação. Estão previstos 484 câmeras de monitoramento, sensores de pista, sistemas de detecção de altura, painéis de mensagens fixos e móveis, sistemas de controle de velocidade, sistemas de pesagem e pontos de abastecimento para veículos elétricos.

O pedágio será operado no modelo free flow, com cobrança eletrônica sem barreiras físicas, permitindo tráfego contínuo e maior fluidez nas rodovias concedidas.

Consolidação de um processo longo

A apresentação técnica desta segunda-feira consolida o início efetivo da concessão da Rota da Celulose, encerrando um processo iniciado em 2023 e marcado por leilão sem interessados, reformulação do edital, disputa entre consórcios e judicialização.

Com o contrato assinado, a Caminhos da Celulose assume oficialmente a responsabilidade pela malha rodoviária e inicia a fase operacional do projeto, começando pelas ações emergenciais anunciadas para os primeiros 100 dias, incluindo os reparos em 150 quilômetros de pavimento.



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