Rose Modesto: “Essa campanha vai ser pautada no debate saudável'

Pré-candidata do União Brasil afirma que vai deixar de lado bate-boca até com concorrente do PSDB, sigla que não a quis na disputa ao governo

| CORREIO DO ESTADO / ALISON SILVA, CELSO BEJARANO


candidata Rose Modesto, em entrevista ao Correio do Estado, falou sobre sua caminhada como pré-candidata ao governo de MS nas eleições deste ano - Gerson Oliveira

Ex-vereadora, ex-vice-governadora, deputada federal e agora pré-candidata ao governo de Mato Grosso do Sul. Rose Modesto (União Brasil) tem viajado para cinco ou seis municípios entre as sextas-feiras e os domingos para convencer os eleitores a deixarem ela dar um outro salto em sua carreira política.

A parlamentar quer agora chefiar o Estado e tentar impor um governo, segundo ela, voltado às pessoas carentes, sem se distanciar do setor empresarial e do agronegócio.

Em março, Rose deixou o PSDB, partido que a abrigou por 15 anos, por ela ter sido preterida na hora da escolha do sucessor do governador Reinaldo Azambuja. 

Desde então, ela disse ter corrido atrás de seu desejo, no caso, um partido que lhe desse a chance de concorrer à sucessão de Azambuja. Achou o União Brasil e, agora, anda atrás dos eleitores e quer se tornar a primeira governadora de MS.

Em entrevista ao Correio do Estado, ela disse que ainda não sabe se o seu partido vai apoiar a reeleição de Bolsonaro e revelou que não rejeitaria apoio de nenhuma legenda que a ajudasse em um eventual segundo turno.

Rose se queixou das fake news. Ela disse que a campanha nem sequer começou e já foi vítima de uma corrente que pôs na internet uma notícia falsa indicando que ela renunciaria à candidatura ou concorreria como vice em um outro partido.

ROSE MODESTO - Perfil

Com 44 anos, Rose foi professora de escolas públicas de Campo Grande de 2000 a 2008. 

Em 2009, assumiu seu primeiro cargo político, como vereadora da Capital, o qual ocupou até 2014. Em 2015, tornou-se vice-governadora de Mato Grosso do Sul. 

No governo, foi Secretária de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho entre 2015 e 2016. Ficou como vice-governadora até 2018, quando deixou o cargo para se candidatar ao Congresso Nacional como deputada federal, função que ainda exerce.

Não, eu acho que nunca fiz assim. Lógico que você pode ter algum tipo de descontentamento, mas política você não faz assim, com o coração de estar chateado ou não.

 Agora, eu tenho um objetivo, um sonho de realmente poder contribuir com o meu Estado através do Executivo. O Executivo é um local onde você definitivamente tem condições de poder de executar, de fazer, de realizar. 

A minha experiência no Legislativo foi importante também para conhecer a importância dessas relações dos Poderes, que precisam trabalhar de forma independente, mas harmônica. Então, a experiência é mais importante, mas eu sempre tive vontade de poder realizar. 

Em 2020, o PSDB já não pôde me dar a legenda para ser candidata a prefeita, no momento em que as pesquisas mostraram meu nome com chances reais de poder ser prefeita. 

Em 2020, o PSDB já definiu também quem seria o candidato da sigla em 2022, então, foi uma decisão sem a gente fazer qualquer tipo de discussão, inclusive, com a militância do partido. Eu entendi que não teria mais espaço no PSDB para poder colocar o nome à disposição para construir um projeto nesse sentido. 

Então faltou oportunidade, mesmo, e acho que a gente tem que ficar olhando para trás. Eu deixo no PSDB amigos, pessoas que eu respeito que estão lá, gratidão por aqueles que me acompanharam também. Ajudei e fui ajudada – e daqui para frente é uma vida nova.

Sim. Eu, na época, inclusive, protocolei uma carta pedindo à legenda e ao diretório estadual e municipal do PSDB, mas o partido definiu por apoiar Marcos Trad. 

Então, não é frustrada e nem decepcionada, mas eu entendi de forma muito madura que eu não teria no PSDB mais esse apoio e espaço para disputar um cargo majoritário.

Disse ao governador o seguinte: esse sonho de poder governar Mato Grosso do Sul, ele já não está mais só na minha mão, ele passou a ser o sonho de muita gente. Por onde eu ando, por onde eu passo as pessoas estão dizendo: 

“Rose, você tem que ir. Coloca seu nome. Nós queremos ter a oportunidade, depois de 20 anos, de votar em uma mulher'. 

Então, eu acho que o político não pode ir para onde ele acha que tem que ir, ninguém pode ser candidato de si mesmo, não dá para definir isso dentro de uma sala com quatro, meia dúzia de gente. Agora os números estão aí. 

Eu disse isso a ele, e disse que faria o meu, que trilharia esse caminho. Se não fosse no PSDB, seria no partido que me desse essa oportunidade – e foi o União Brasil que me deu essa oportunidade.

Quando eu assumi o cargo de vice, foi um cargo importante porque me deu a possibilidade de conhecer como é que funciona o governo, quais são os desafios que Mato Grosso do Sul ainda tem. Eu conheço cada cidade, cada ponto. 

Dos ribeirinhos às comunidades indígenas, a força do agronegócio, tudo isso o cargo de vice me fez conhecer, embora eu não tivesse caneta para decidir o que seria feito, mas a experiência de estar ao lado e vendo como as coisas funcionam e qual era o caminho que a gente tinha que percorrer para poder executar. 

Esse cargo também me deu a sensibilidade de poder entender o que o eleitor naquele momento estava querendo em relação ao nosso nome e à nossa história. Então não é da minha cabeça, apenas. Eu tenho um sonho, é uma honra poder governar o Estado onde eu nasci. 

Eu venho do interior do Estado e sei o quanto Mato Grosso do Sul é maravilhoso, um Estado rico, segundo maior exportador de carne, o quinto maior produtor de grãos, uma riqueza importante de um setor tão maravilhoso. 

A nossa vocação para a agricultura, para a pecuária, mas é um Estado que ainda é muito desigual. Nós temos 21% da população que sobrevive com meio salário mínimo.

 Conhecer essa realidade me despertou para ter vontade de governar este Estado, lutar e trabalhar para ter um Mato Grosso do Sul desenvolvido do ponto de vista econômico, mais alinhado com o desenvolvimento social, que vem através do desenvolvimento da educação. 

Eu sou professora. Eu sei a importância e o milagre que a educação pode fazer, desde que venha aliada à oportunidade de emprego e renda, e nós temos um grande desafio. Mato Grosso do Sul está bem organizado do ponto de vista fiscal, porém, o nosso empresário aqui está sofrendo muito. 

Nossa carga tributária ainda é muito pesada, e a gente precisa entender que o empresário quando está respirando mais investe mais, ele gera mais emprego, emprego gera renda, que gera dignidade. 

Então, quando eu olhei para tudo isso, entendendo que é possível nosso Estado conseguir unir isso [desenvolvimento econômico e social], ver nossa população melhorar a sua qualidade de vida, e ao mesmo tempo as pessoas dizendo “Rose, vai! Nós queremos você', foi aí que eu tomei minha decisão de estar hoje aqui.

Hoje nós temos três partidos que já sinalizam caminhar com a gente, Podemos, União e Avante, e nós estamos dialogando. 

Todos aqueles que entenderem e que tiverem essa mesma visão que nós temos, desse Mato Grosso do Sul que vai gerar mais oportunidades para os sul-mato-grossenses em todas as áreas, serão bem-vindos para a gente poder fazer uma composição para trabalhar. 

Agora, a questão do vice e do Senado, nós não temos hoje ainda certa. Nós temos, sim, uma visão de que o nome que vier tem que somar mais com o projeto, sem abrirmos mão dessas condições de caminhar com alguém que está olhando para o mesmo Mato Grosso do Sul que nós queremos. Essa é uma característica que nós não vamos abrir mão.

Eu acho que, assim, essa afinidade é óbvio que é importante. Você caminhar com alguém que pensa muito diferente pode ser um problema para o eleitor. Então, buscar alguém que tenha uma afinidade de pensamento, de ideias. 

Mas quando eu falo de Dourados é porque nós temos hoje o vice-governador do Estado [Murilo Zauith], por exemplo, que é um nome que já sinaliza caminhar com a gente. Então, nós queremos também fazer essa discussão, ouvindo também uma liderança importante como ele para construir também essa majoritária. E, na macrorregião de Dourados, ali estão 34 municípios de um Estado que tem 79 municípios. 

Então, é importante a gente realmente dialogar, não tem nada definido em relação a isso, mas eu acho que nós precisamos ouvir, sim, a região e construir junto. Pode ser de lá? Pode. Pode não ser? Pode também.

Eu acho que não, nenhuma crítica pessoal. O que nós vamos ter, e que pode ter de ambos os lados, não só com ele ou dele em relação a mim, é de discutir Mato Grosso do Sul, aquilo que ainda não funciona e o que nós queremos. 

Essa campanha, se depender de mim, vai ser pautada no debate saudável, democrático, dentro da lei. Nós temos uma lei, nós não vamos fugir de cumprir a lei e o que a lei determina para momentos importantes como esse. Penso que é o que o eleitor está esperando. 

A maturidade de todos os pré-candidatos em fazer realmente uma campanha limpa, combatendo fake news. Eu, inclusive, vou fazer uma denúncia agora, por esses dias mesmo, em relação a essa questão das fake news. Eu acho que nós temos que combater esse tipo de situação, porque quem perde com isso é o eleitor, que pode ser enganado com notícias mentirosas. 



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