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Jogador dublê! Ex-Flamengo ganha fama na internet com causos de futebol em países alternativos
Andarilho da bola, Sérgio Barboza assinou contrato profissional no Fla de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, mas vem ficando conhecido por contar histórias engraçadas longe dos holofotes
| GLOBOESPORTE.COM / GUSTAVO GARCIA
Sérgio Barboza é mais um entre muitos jogadores que iniciaram no futebol com o sonho de viver o estrelato, mas que acabaram tendo de buscar alternativas para a carreira longe dos grandes clubes. Com passagem na infância por clubes como Botafogo, Fluminense e Vasco, ele chegou a se profissionalizar no Flamengo de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, porém, sem nunca atuar pelo time principal. Mas o destaque pelos feitos nos gramados só começou a chegar agora, aos 32 anos, graças às redes sociais.
Autointitulado “jogador dublê', o lateral, que também atua como meia, vem ganhando fama nas redes sociais ao contar causos dos países por onde rodou mundo afora, acumulando experiências longe dos centros tradicionais do futebol.
Sérgio Barboza se profissionalizou na base do Flamengo entre 2011 e 2012. Naquele período, teve a oportunidade de participar de treinos com Ronaldinho Gaúcho - que hoje inspira muitas de suas resenhas na internet -, mas não teve chance no time principal, somente na base.
Ao todo, ele acumula mais de 160 mil seguidores nas redes sociais em pouco mais de quatro meses contando causos do mundo da bola.
Países em que Sérgio atuou
Angola (Bravos do Maquis)Nepal (Dhangadhi FC)Índia (Delhi FC, Rajasthan United e Minerva Punjab)Estados Unidos (Nona FC)Guatemala (Suchitepéquez e Comunicaciones)Malta (Zejtun Corinthians)Camboja (Master 7 FC, Sav Riegng)Honduras (Juticalpa FC)
Ao relembrar a carreira, Sérgio afirma que tudo desandou em 2012, quando decidiu rescindir com o Flamengo, ainda muito jovem, para atuar no profissional do Macaé, que naquela época vivia uma ascensão - o time chegou a disputar a Série B nos anos seguintes.
- Minha base eu tive maior mordomia. Eu me destacava e jogava. Mas quando profissionalizei, comecei a não jogar. Na época eu queria jogar. Olha a cabeça. Estava no Flamengo e queria jogar. Na época meu empresário era amigo do Toninho Andrade, que era técnico do Macaé. Eu rescindi com o Flamengo para acertar com o Macaé.
O sonho de Sérgio de ganhar sequência no profissional do Macaé acabou não se concretizando. Na época, o lateral Valdir Firmo era um dos destaques do time, e o “jogador dublê' acabou sendo levado para a base. Com muitos problemas enfrentados, como atrasos de salário, ele iniciou a trajetória como andarilho da bola.
- O Valdir Firmo estava voando muito na época e eu fui para a base. Ali eu comecei a entender mesmo o que era o futebol. Na base eu sempre saía de um clube bom para um clube bom. Mas no profissional do Macaé o salário sempre atrasava. Eu rescindi, fiquei seis meses sem clube e comecei a rodar.
Sem as mesmas oportunidades de atuar em grandes clubes do Brasil, Sérgio passou então a buscar espaço em países alternativos. Rodou por Camboja, Nepal, Índia, Honduras… A possibilidade de receber em dólar passou a ser um grande atrativo para o lateral.
Sem revelar valores, ele afirma que dá para viver com salários acima da média do trabalhador brasileiro, mas sem nada que se compare à realidade dos grandes astros mundiais.
Sérgio Barboza brinca que não acumulou riqueza no futebol, mas se considera um rei da resenha. De comer sapos em espetinhos a ser apresentado em um novo clube em cima de um camelo e até mesmo fazer bico como animador em festa de crianças nos Estados Unidos, ele virou celebridade em um país na Ásia. No período em que atuou pelo Dhangadhi, no Nepal, o brasileiro chegou a estrelar um clipe de uma música que viralizou.
Entre um causo e outro contado no Instagram, Sérgio vem acumulando bordões e vídeos com mais de 1 milhão de visualizações. Ele tem praticamente um dicionário próprio da resenha, mas vem se estruturando para quando pendurar as chuteiras. Formado em educação física, ele tem licença da AFA para treinador e pretende seguir no futebol após a aposentadoria.
- O jogador dublê tem que guardar dinheiro, investir, tem que encontrar um caminho. Não pode esperar o futebol te aposentar. O jogador tem muito tempo livre. Fica muito tempo de um quarto, em concentração. Ele treina e volta para o quarto. O cara pode fazer um curso para depois seguir carreira. Eu fiz educação física e hoje tenho licença AFA, posso parar e virar treinador - declarou Sérgio, que está perto de atuar na Angola.
Dicionário do jogador dublê
Jogador dublê: jogadores que vivem longe dos holofotes do futebolConseguir uma barquinha: acertar com um novo clube Pagamento 3/1: a cada três meses você recebe um Mês com 150 dias: só recebe pagamento a cada 5 meses Arrumar um carvão: conseguir dinheiro nos períodos sem clube ou de salários atrasadosNa minha vez é doideirada: usado para explicar algum causo quando estava para ficar na boa DVD atualizado: manter sempre um DVD com lances atualizados para tentar um novo clube
Confira algumas resenhas em vídeo do jogador do dublê
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