"A vida virou as costas para mim": conheça atacante da Copinha que foi adotado pelo irmão

Em uma história digna de filme, Alan superou diversas barreiras até virar o camisa 7 do Comercial de Tietê

| GLOBOESPORTE.COM / ARCíLIO NETO


Alan é atacante do Comercial de Tietê na Copinha 2026 — Foto: Renan Camargo

Alan perdeu o chão e, de repente, sentiu que a vida tinha virado as costas para ele. O adolescente teve medo, mas não desistiu e a encarou de frente.

Os anos foram duros com o menino, que conseguiu vencer todas as barreiras que a vida trouxe. Hoje, as vitórias valem três pontos em uma matemática menos complexa que o passado.

O camisa 7 do Comercial de Tietê, autor de dois gols na Copa São Paulo de Futebol deste ano, carrega marcas de sofrimento, mas, principalmente, de muita resiliência.

O atleta nasceu em um cenário que parecia negar qualquer chance de futuro. Ele e mais 12 irmãos viviam sob condições precárias e tiveram que abrir mão do verdadeiro significado de infância.

O conselho tutelar tirou dos pais a guarda de todos eles. Os pequenos tiveram que ir para um abrigo, em Conchal, no interior paulista.

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O tempo passava e os irmãos foram sendo adotados, um a um. Menos Alan. A família se desfazia, pouco a pouco, enquanto o relógio parecia estar congelado, sem nenhuma luz no fim do túnel.

Mas a luz apareceu, após quatro anos no abrigo. Um dos irmãos dele completou 18 anos e tomou uma decisão que mudaria a vida de ambos: Leandro decidiu adotar Alan, que ganhou um lar.

Alan e o futebol: um novo capítulo

A vida ganhou outro sentido e, é neste momento, que entra o tal do futebol. O esporte deixou de ser apenas uma brincadeira e passou a ser o futuro.

– O sonho de jogar futebol sempre esteve comigo. Eu sabia que uma hora eu conseguiria realizar – disse Alan, ao ge.

O futuro virou presente e, em 2022, o jovem de 16 anos chegou ao Comercial de Tietê, que se transformou em sua mais nova família.

O clube de mais de 105 anos de história está na cidade de 37 mil habitantes, que dá o nome ao maior rio paulista. O CFC não disputa um campeonato profissional há 23 anos e, desde então, só tem equipes de base.

No time alvinegro, Alan se desenvolveu como atleta e como atacante moderno. Ele também passou pela base da Ferroviária em 2024 e 2025.

– Gosto de jogar pra frente. De buscar o gol. De usar meu drible como arma contra o adversário. Prefiro jogar aberto pelos lados. Me sinto à vontade nessa posição.

Com uma história de vida digna de filme e livro, o atacante, hoje no auge dos seus 19 anos, é um líder que inspira e orienta os mais novos.

– Eu falo sempre para os meninos mais novos se dedicarem nos treinos. Agradecerem a vida que eles têm e aproveitarem as oportunidades. Só penso em um dia me tornar jogador profissional para servir ainda mais de exemplo para crianças que passam dificuldades acreditarem em seus sonhos – finaliza o atacante.

Alan foi titular em todos os três jogos do Comercial de Tietê na Copinha 2026. Na terceira rodada, marcou os dois gols da vitória contra o Criciúma, que proporcionaram ao time a histórica primeira classificação à segunda fase. Tudo isso no dia do seu aniversário.

Nesta terça-feira, às 15h, ele e o CFC entram em campo contra o Bragantino, no duelo da segunda fase.

O jogador que entra no radar de equipes do futebol brasileiro é o mesmo menino que "tinha medo do futuro". Se não desistiu lá atrás, não será agora que ele abandonará o sonho de ser um dos grandes atacantes do país. E que, no meio dessa jornada, Alan possa inspirar outros tantos que têm medo do futuro.



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