Marcelo Paz é apresentado no Corinthians e detalha busca por reforços: "Não faremos loucura"

Novo executivo de futebol admitiu que "time tem necessidades de mercado"

| GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI, GABRIEL OLIVEIRA E VITOR CHICAROLLI


Marcelo Paz é apresentado como novo executivo de futebol do Corinthians — Foto: Yago Rudá

Marcelo Paz foi apresentado nesta sexta-feira como diretor-executivo de futebol do Corinthians, em entrevista coletiva no CT Dr. Joaquim Grava. Ele detalhou a busca por reforços e rechaçou a interferência política no dia a dia da equipe.

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Na entrevista, Marcelo disse que a diretoria está em busca de contratações para qualificar o elenco, para contar com pelo menos dois jogadores de bom nível por posição, mas que os reforços deverão ser jogadores livres no mercado ou por empréstimo.

— O time tem necessidades de mercado, temos um bom time, mas temos que ter elenco mais robusto, conversamos com o Dorival desde o primeiro dia. Estamos trabalhando para ter dois jogadores por posição. Vamos ter que trabalhar com criatividade, Corinthians está em reestruturação financeira, presidente Osmar me chamou também por conta disso.

— Não podemos e não faremos loucuras financeiras, foram essas loucuras que trouxeram essa situação instável — declarou o executivo em entrevista coletiva.

— Vamos ter que agir com criatividade para trazer jogadores livres, por empréstimo, com competência para jogar no Corinthians. Vejo oferta de atletas que fazem esforço de virem para cá. Vou citar o caso do Gabriel Paulista, que já fez exame médico e em breve será anunciado. Um atleta que fez esforço para vir para cá, abriu mão de dinheiro, e tem muita gente disposta a fazer esse movimento.

Ele especificou que lateral-direito e atacantes de ponta são duas das prioridades para o mercado de transferências, depois do acerto encaminhado com o zagueiro Gabriel Paulista.

Interferência política

Perguntado sobre as interferências políticas no Corinthians, Marcelo sustentou que terá autonomia, concedida pelo presidente Osmar Stabile. O antigo executivo, Fabinho Soldado, deixou o clube reclamando

— Não coloquei em contrato porque acho que não precisa. O presidente foi claro que eu trataria diretamente com ele, me blindaria dessa questão política, vim para cá para fazer trabalho profissional. A política tem interesses distintos, as agendas são diferentes. Sinto que tenho o apoio do presidente e do torcedor para isso, com esses dois apoios a gente está forte.

— O clube tem essa questão, mas acho que um clube como o Corinthians, gigante, enorme, passando por reestruturação, tem que apoiar, não pode atrapalhar. Não faz bem alguém que faz algo de forma proposital para atrapalhar o clube. Tenho certeza que os corintianos não querem isso.

Ele contou que conversou com o elenco e ouviu dos jogadores o desejo de uma blindagem no CT.

— Depois da chegada do presidente Osmar, como o nome dele já diz: trouxe estabilidade. Clube conseguiu título importante, questões sendo resolvidas, permanência de treinador, de grande parte do elenco. O que conversamos com jogadores, e é um grupo de personalidade, o que é bom, porque eles questionam, dialogam, é que eles querem manter o CT blindado para o futebol, para que não tenha interferência no dia a dia. Isso está muito claro. Isso é uma atitude profissional de quem quer ganhar jogo.

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Confira outras respostas de Marcelo Paz na entrevista:

Renovação de Memphis: — Memphis é um grande atleta, craque de bola, foi importante para o Corinthians em 2025, com títulos, gols, jogadas decisivas. Não iniciamos tratativas de renovação, porque estamos focando na formação do elenco, achar oportunidades criativas, possíveis saídas... é um trabalho grande, estamos deixando esse ponto mais para frente. Dentro do planejamento financeiro, a gente tem a despesa de todos os jogadores e comissão, a decisão de uma possível continuidade vai passar por isso. Ele é o maior artilheiro da seleção holandesa, vai jogar Copa, e tem um peso por isso. No momento oportuno a gente vai conversar e ver os caminhos. Espero que ele esteja em campo o máximo de minutos possíveis para dar alegria à torcida corintiana."

Pedro Raul, Alex Santana e Héctor Hernández: — Pedro Raul faz parte do elenco, certamente estará na lista para (o jogo de) domingo. Ele vai ter chance de jogar e consolidar sua permanência no clube. Ele tem qualidade, ano passado me fez raiva (pelo Ceará). Alex Santana e Hector não estão treinando com elenco, têm imagem boa no mercado, idade boa, em breve aparecerá algo para eles.

Saída de Maycon: — Maycon foi campeão, formado na base do Corinthians, a permanência não foi possível porque extrapolou o limite financeiro do Corinthians. Não estava tudo acertado antes de eu chegar. As coisas não fluíram porque a gente tem a responsabilidade financeira. O que talvez não seja o ideal é que estávamos tratando de renovação e houve oferta para outros clubes. Não oferta de outros clubes, mas para outros clubes. Tentei que ele ficasse, conversei pessoalmente, liguei, mas temos um limite, o Corinthians está acima de todos e tenho certeza que ele sai com portas abertas, um legado importante e fez escolhas que temos que respeitar. Vou torcer para que ele tenha sucesso, menos contra a gente.

Por que aceitou vir ao Corinthians desta vez — O outro convite foi no meio da temporada, eu não me permitiria sair, o trabalho estava em curso. Esse ano o convite veio com a temporada terminando. Quando aceitei o convite, o Fortaleza não tinha feito nenhum treino. Entendi que havia tempo necessário para mudança, transição sem causar prejuízo à instituição. Entendi que era momento e eu desejava uma mudança profissional. Foram 11 anos, mudar de ares faz bem, foi no momento que entendi que era válido por ser uma transição. E também devo dizer que o convite do presidente Osmar teve muito peso, já vi ali um clube num caminho de crescente, reestruturação e equilíbrio financeiro.

Conversas para renovação — O Angileri no momento a negociação está parada, não tem negociação em andamento, sempre respeitando os limites financeiros do Corinthians. Temos outros dois laterais. Angileri é um grande jogador, gostamos dele, mas temos nosso limite, respeitamos, é normal no mercado esse tipo de situação. Vim para cá para vencer, mais um nordestino que vem para vencer, como Rivaldo, outras pessoas, deixei minha família lá, a cidade que eu amo, Fortaleza, mas estou aqui de corpo e alma. Sei que não é fácil, sei os caminhos do futebol, que são altos e baixos, mas temos resiliência para encarar. Com ajuda dessa torcida espetacular temos chances de fazer um grande trabalho.

Dívida por compra de Rodrigo Garro — Esse é um assunto administrativo, não me cabe falar o tamanho da dívida, mas o Corinthians está com muita boa vontade de sanar tudo, dentro de uma responsabilidade. O Corinthians tem que gerar mais receita em todas as suas ações. Mas como é um assunto administrativo, não vou me aprofundar e não sou eu que vou trabalhar nisso para resolver.

Interesse em Mandaca e Dieguinho: — São dois jogadores que a gente conhece, acompanha, Mandaca inclusive é cria do Corinthians, saiu do Juventude. Dieguinho jogou no Goiás, foi pro Ceará como volante, a gente está observando o mercado, mas são possibilidades amplas. A gente observa e eventualmente pode ter negociação, mas não que agora tenha negociação em curso.

Política e CBF — Samir está fazendo mudanças corajosas, fair play financeiro, mudanças no calendário, arbitragem. Quero de público reconhecer e parabenizar esse trabalho. Já está em curso uma mudança nisso, presidente Osmar está com contato muito bom com a cúpula da CBF. O Corinthians tem que ser protagonista, ser escutado em tudo, ter voz ativa, participar, porque é um clube enorme, absurdamente grande. Essa força tem que se refletir na CBF. Presidente Osmar, hábil que é, já está fazendo isso. Se ele quiser que eu esteja ao lado dele, estarei. Disse: presidente, estou aqui para futebol, mas se quiser apoio para patrocinador outras coisas, estarei aqui.

Trabalho com categorias de base: — Quero ajudar a reverter, Corinthians não pode estar fora do Movimento de Clubes Formadores. Nossa presença aqui ajuda essa interlocução, Renan é perito, conhece demais tudo isso. Fui bem recebido pelo (Erasmo) Damini. Essa interlocução da base com o profissional é fundamental. A estrutura facilita, é muito perto, só atravessar e acompanhar. Vamos estar perto, entender, ajudar, Corinthians sempre revelou muitos jogadores e tem que continuar assim. O jovem que tem minutos em campo vale muito, isso é em qualquer lugar no mundo. Em 2025, o Corinthians foi o clube que mais usou a base na Série A. Então é fundamental que a gente esteja conectado, fazendo investimento, captando jogador, para que seja um ciclo virtuoso.

Negociação para saída de Félix Torres: — Félix Torres tem uma situação de negociação com o Internacional, é um jogador que deve seguir um caminho. Atleta de qualidade, participa da seleção, mas perdeu espaço. Temos outros quatro zagueiros e a chegada do Gabriel. São idas e vindas que fazem parte."



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