Como a alta da Selic para 12,75% afeta seus investimentos ?

Especialista comenta o que o mercado indica para os preocupados com alta da taxa básica de juros

| CORREIO DO ESTADO / RODRIGO ALMEIDA


- reprodução/ Pixabay

É consenso afirmar que a alta da Selic desestimula a aplicação de dinheiro no crescimento da economia real. No entanto, para investimentos em ativos financeiros, ela pode gerar oportunidades e também uma chance de aprendizado.  

Nesta quarta-feira (04), o Comitê de Política Monetária (Copom), anunciou a 10ª alta seguida da taxa básica de juros da economia, a Selic. 

Conforme especialistas contactados pela reportagem, há sinalização de que ainda venha mais aumento por aí.  

Lilian Linhares, head da Rio Negro Investimentos, disse que as declarações do Copom dão a entender que em junho, data da próxima reunião, é possível que haja um último aumento antes das eleições nacionais.  

Nós estamos adiantados nesse processo de alta, nos EUA o FED (Federal Reserve, o Banco Central deles) ainda está na segunda taxa de juros'.  

Especialistas veem esse movimento como natural na economia mundial. Para alguns, no entanto, o efeito pode ser pouco efetivo na redução da inflação, como noticiado pelo Correio do Estado na edição desta quinta-feira (05).  

Mas, afinal, para o investidor em ativos financeiros como essa alta impacta os investimentos?

Como investir após a alta da selic?

Lilian Linhares vê o mercado bom para quem se interessa por renda fixa e tem a intenção de fazer a migração para esse produto. 

'Temos notado alta de procura em título indexados à inflação e temos recomendado a compra deles porque protegem bem neste cenário de incerteza'.

A especialista ainda diz que não é hora de travar as taxas em fundos prefixados. “Como ainda estamos vendo a Selic estabilizada a partir de junho, os prefixados ainda se mostram um pouco instáveis. O Tesouro IPCA + tem condições de entregar uma taxa pré-interessante e ainda utilizar a variação da inflação como benefício', aconselha.  

O escritório de LiLian ainda vê uma fuga de dinheiro alocado em ações. Dessa forma, ela aconselha os títulos de curto prazo, com vencimentos de no máximo quatro anos. 

De acordo com ela, os títulos mais longos trazem insegurança, e o risco aumenta.  

Ela aconselha que para os investidores posicionados em ativos de longo prazo, agora não é o momento de sair. “A instabilidade deve ocorrer e a estratégia deve ser confiar um pouco mais em fundos multimercados. Esses ativos navegam melhor nessa instabilidade: negociam moedas internacionais, commodities, títulos públicos de vários países e ações. Eles podem ser uma ótima alternativa também', finaliza.  



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