Luxemburgo critica executivos e quer projeto para comandar futebol de clube

Técnico critica o modelo atual com executivos de clubes e cita exemplos como Rodrigo Caetano e Alexandre Mattos

| GLOBOESPORTE.COM / CLAUBER SANTANA


Vanderlei Luxemburgo, técnico do Corinthians, no jogo contra o Botafogo — Foto: Marcos Ribolli

Aos 73 anos, Vanderlei Luxemburgo não se considera aposentado e rejeita a alcunha de “ex-técnico'. No entanto, só aceita retornar ao futebol caso seja para assumir um projeto de comando no departamento de futebol de um clube, em um papel semelhante ao de “manager', como costuma definir.

+ Luxemburgo defende convocação de Neymar para a Copa do Mundo: "Genialidade pode dar o título" + Luxemburgo revela convite do Santa Cruz e diz que pode ajudar clubes de Pernambuco

Em entrevista ao Carona do GE, Luxemburgo citou exemplos de treinadores que no passado acumulavam o comando do futebol nos clubes.

— Eu só voltaria em uma condição de ser aquilo o que sempre fomos, o responsável pelo futebol. Assim como eu fui, o Felipão, Telê Santana, Alex Ferguson, que é o cara que estrutura o futebol e está acima do comando — disse.

O técnico criticou o espaço que os executivos têm ganhado no futebol. Sem papas na língua, citou com tom crítico nomes como Rodrigo Caetano, coordenador das seleções masculinas da CBF, e Alexandre Mattos, atualmente no Santos.

"Chegaram os diretores executivos e passaram muita gente. Saíram de gerentes e supervisores, criaram uma associação e passaram por cima do treinador, como se eles comandassem a comissão técnica", criticou.

+Alex faz postagem sobre aposentadoria de Luxemburgo e destaca: "Salvou minha carreira" +Luxemburgo no Paraná Clube? Há 30 anos, técnico vivia auge e surpreendeu ao ir para time novato

— O Rodrigo Caetano esteve no Flamengo, comandou a comissão técnica e trocou de treinador nove vezes. Só eu fui trocado duas vezes. Onde ele estava como diretor executivo? O Alexandre Mattos faz a mesma coisa. Eles entraram no mercado e ficou difícil. Depreciaram os treinadores brasileiros e começaram a trazer estrangeiros — completou.

O último trabalho do treinador foi no Corinthians, em 2023. Na passagem, comandou o time em 38 partidas, somando 14 vitórias, 12 empates, 12 derrotas e um aproveitamento de 48% em quase cinco meses.

Para voltar ao futebol, Luxemburgo destacou que só aceitaria assumir um projeto em que comandasse o departamento de futebol, com um executivo subordinado a ele. O treinador lembrou ainda que trabalha há anos com uma comissão técnica fixa, algo que antes era alvo de questionamentos, mas que hoje é visto como uma prática elogiada e valorizada no mercado.

— Quero ser treinador como fui no Real Madrid e na maioria dos clubes pelos quais passei, com a comissão técnica com quem trabalhei e que tomava as decisões. Sempre tive uma equipe que chamavam de “Patota do Luxa'. Hoje chamam de comissão técnica de excelência. Tudo isso eu trouxe para o futebol — explicou.

— O jogador de futebol só respeita uma pessoa: quem o escala. O diretor executivo pode conversar com ele, mas a decisão de colocar para jogar ou não é sempre do treinador. Eu sempre fui um gestor, e não apenas um técnico. Minha saída do futebol ocorre porque não quero ficar subordinado a quem não conhece futebol e acha que conhece — finalizou.



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE