Comemorar? Observar e orientar: veja reações de Filipe Luís no título do Brasileirão pelo Flamengo

Treinador tem comemoração tímida em gol de Lino, extravasa rapidamente com título e se esconde dos holofotes para atletas erguerem a taça

| GLOBOESPORTE.COM / LETíCIA MARQUES


Filipe Luís em Flamengo x Ceará — Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Dia 3 de dezembro. O dia que ficará marcado para sempre na memória de Filipe Luís. Há dois anos, ele se aposentou em um Maracanã lotado com homenagem e mosaico da torcida do Flamengo que renderam ao lateral muitas lágrimas. Na última quarta-feira, a data tornou-se ainda mais especial com a conquista do título do Brasileirão.

A vitória por 1 a 0 em cima do Ceará, no Maracanã, com exatas 73.244 pessoas nas arquibancadas, carimbou o título brasileiro para o Flamengo. O campeonato era a prioridade do clube na temporada e, além disso, é o campeonato preferido de Filipe Luís desde o tempo de jogador. Esta foi a quinta conquista do treinador: Copa do Brasil, Carioca, Supercopa, Libertadores e Brasileirão.

Exatos 731 dias separam o último dia de Filipe Luís como jogador e conquista do Brasileirão. Na despedida, o então lateral revelou o sonho de ser técnico de futebol. O destino quis que o Flamengo, time do coração, fosse o primeiro clube no currículo: sub-17, sub-20 e profissional.

A carreira é meteórica e, apesar de ter mudado bastante desde que assumiu o Flamengo em outubro de 2024, como ele mesmo reconheceu em coletiva, Filipe Luís mantém a essência a beira do campo. Roupas simples - quase sempre todo de preto -, braços cruzados, sorriso fechado e um olhar concentrado. Às vezes mais participativo, às vezes mais observador.

Foi exatamente assim que Filipe Luís comandou o Flamengo na vitória em cima do Ceará. Ele optou por repetir a escalação da final da Libertadores. E a última vez que usou os mesmos 11 em dois jogos seguidos havia sido no Carioca. E foi no momento da escalação que a emoção começou.

Tradicionalmente, o telão do Maracanã exibe a escalação e a torcida rubro-negra acompanha. Filipe Luís foi muito aclamado. Talvez a última fez que foi aclamado neste nível tenha sido no 3 de dezembro de 2023, na aposentadoria. Correspondeu, como sempre faz, aplausos para a arquibancada e um sorriso tímido.

A bola rolou e Filipe Luís foi o que sempre é e fez o que sempre faz. Desta vez, um pouco mais parado na área técnica, se manteve de braços cruzados observando a partida. Interagia a cada lance, se o Flamengo chegava perto da área, era o primeiro a aplaudir para incentivar.

No primeiro tempo, conversou bastante com o auxiliar técnico Ivan Palanco, que passou o jogo sentado no banco de reservas, mas caminhava até Filipe quando precisava ajustar algum posicionamento. A cada bate-papo com Ivan, o treinador ia até a beira do gramado e passava novas orientações. Bruno Henrique, Arrascaeta, Carrascal e Varela foram os que mais ouviram.

Mas a verdade é que o lance do gol de Samuel Lino retrata demais o que é Filipe Luís como treinador. A comemoração clássica: uma corridinha acompanhada de um soco no ar. Sem que pudesse se levar pela emoção, o treinador caminhou até o banco de reservas e sentou ao lado de Ivan. Por lá ficaram por um minutos conversando até caminharem juntos para a beira do campo.

O Flamengo levou para o segundo tempo a vantagem de um gol. O clube só dependia de si para ser campeão já nesta quarta-feira, e assim fez. Voltou para o segundo tempo com a mesma formação, e Filipe Luís com a mesma postura. Por vezes, caminhava mais a beira do campo já que o time atacava um pouco mais distante de seus olhos.

Os ajustes eram feitos da mesma forma em praticamente todos os momentos: conversas com Ivan e, na sequência, gestos e orientações para os atletas. Os minutos finais foram de apreensão e o banco de reservas todo em pé a beira do gramado para celebrar o título. Filipe Luís pedia pelo fim da partida quando o árbitro apitou e o Maracanã explodiu em comemoração.

O primeiro abraço de Filipe Luís foi em Pedro e Wallace Yan e, logo depois, o seu braço direito, Ivan e o seu preparador físico Diogo Linhares. O diretor de futebol José Boto também foi abraçar e comemorar com o treinador. Pela primeira vez, Filipe Luís protagonizou a imagem que virou rotina nos títulos com o Rubro-Negro: se jogar de peito no gramado.

Desta vez, o treinador explodiu em comemoração. Estava visivelmente aliviado de tensão e esbanjava sorrisos pelos quatro cantos do Maracanã. Filipe Luís foi até o Setor Norte, local onde fica a torcida organizada do clube, e comemorou junto com os atletas. Léo Pereira, Carrascal e Pedro faziam festa rodando os bandeirões que pegaram da arquibancada.

Mas a verdade é que o holofote não dura muito para Filipe Luís. O treinador aos poucos se afastou da aglomeração e passou a observar quieto a festa. Braços cruzados, sorriso no rosto e olhos marejados. Na hora de erguer a taça, se posicionou bem no canto e deixou o momento para os atletas. Esperou a família aparecer para celebrar.

- vídeo da família -

Filipe Luís se torna a primeira pessoa a conquistar a Libertadores, o Brasileirão e a Copa do Brasil, como jogador e como treinador. Curiosamente, todas as conquistas foram pelo Flamengo. E o treinador, que negocia a renovação do contrato, não quer parar por aí:

— Tive muita sorte na minha carreira, que vivi a segunda melhor etapa da história do Atlético de Madrid e a segunda do Flamengo, porque a melhor foi e sempre vai ser a de 1981. Hoje estou vivendo essa. Eu chorei muito depois da Libertadores. Foi muito emocionante. Cheguei em casa e pela primeira vez passando na rede social vi a festa, fogos na favela. Não temos dimensão do que fizemos para muitos torcedores. Muito feliz por esse momento, mas não pode parar isso. Temos que querer mais.

Filipe Luís como técnico do Flamengo:

85 jogos55 vitórias20 empates10 derrotas5 títulos: Copa do Brasil, Supercopa, Carioca, Libertadores e Brasileirão.

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