Criticados são 'exaltados' em ótima atuação do Grêmio contra o São Paulo

Tricolor paulista sofreu para marcar Pavón, Amuzu e Edenílson em nova derrota e atuação ruim no Brasileirão.

| GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO COUTINHO


Como Grêmio e São Paulo iniciaram o duelo válido pela 28ª rodada do Brasileirão 2025 — Foto: Rodrigo Coutinho

Se há um mês alguém dissesse a qualquer torcedor do Grêmio que Pavón, Amuzu e Edenílson seriam destaques de uma vitória importante sobre o São Paulo, seria alvo de piadas. Mas aconteceu. Além da presença artilheira de Carlos Vinícius, autor dos gols do 2x0 sobre o time paulista, o criticado trio foi determinante para a construção do resultado que aproxima o Imortal dos dez primeiros colocados.

Muitos profissionais do futebol exaltam exatamente a oportunidade de mudar cenários e opiniões a cada três dias. No caso dos jogadores citados, que foram justamente apupados em diversos momentos do ano, será necessário mais tempo de boas atuações para convencer a torcida gremista. O processo, no entanto, foi iniciado. O São Paulo chegou a quatro derrotas nas últimas cinco rodadas.

Escalações

Mano Menezes não pôde contar com Thiago Volpi, Kannemann, Marlon, Aravena e André Henrique. Gabriel Grando, Wagner Leonardo, Lucas Esteves e Amuzu foram titulares. Carlos Vinícius e Marcos Rocha voltaram ao time.

Hernán Crespo seguiu com muitos desfalques também. Cédric Soares, Ferraresi, Rafael Tolói, Enzo Diaz, Bobadilla, Pablo Maia e Oscar não estiveram disponíveis. Maílton, Sabino, Wendell, Alisson e Rodriguinho foram titulares.

O jogo

Da dificuldade de frear os contragolpes do São Paulo com Tapia pela esquerda ao desequilíbrio causado por Pavón e Amuzu depois dos 30 minutos. O 1º tempo do Grêmio diante do São Paulo reservou cenários diferentes em Porto Alegre. O jogo era igual até a lesão de Alysson, que foi sacado para a entrada de Pavón pouco depois da metade da etapa inicial.

Os primeiros minutos tiveram um ritmo frenético. Troca de contragolpes e acelerações, pouca pausa. Tapia dava muito trabalho ao receber nas costas de Marcos Rocha. Levava vantagem na maioria dos duelos em campo aberto contra Noriega, mas terminava mal as jogadas. Aos poucos a partida ganhou mais trabalho de bola por parte das equipes, posses mais longas passaram a ser a realidade.

Novamente o São Paulo se saiu melhor num primeiro momento. Conseguia transitar com maior desenvoltura no meio-campo, principalmente a partir das ações de Marcos Antônio. Wendell saiu lesionado e Patryck entrou. A precisão pelo lado esqquerdo caiu. Tapia chegou a finalizar com perigo após boa troca de passes na intermediária ofensiva, mas o Grêmio já havia começado a crescer.

Dentro do modelo de marcação por encaixes e perseguições que o São Paulo executa, Marcos Rocha era quem mais encontrava liberdade. Muitas vezes Tapia não voltava combatendo o lateral, de forma proposital, visando aproveitar as transições rápidas em suas costas. Mas as compensações defensivas dos paulistas nem sempre funcionavam, e o lateral gremista ganhava liberdade de ação.

Ele já tinha invadido a área com perigo após tabelar com Edenílson. Avançava pelo meio, deixava a amplitude a cargo do ponta no setor direito. Primeiro Alysson e depois Pavón. Pela esquerda, a lógica era inversa. Lucas Esteves atacava bem aberto e Amuzu flutuava da esquerda para dentro. Conseguiu se desgarrar do encaixe de Alan Franco e levar perigo.

Chegou a finalizar da entrada da área, mas o melhor estava por vir. Antes, o ganho dos donos da casa com a potente entrada de Pavón no jogo empurrou os visitantes para trás. Rafael impediu um golaço do argentino após triangulação entre ele, Marcos Rocha e Edenílson. Logo depois, o goleiro pegou uma ótima cabeçada de Wagner Leonardo em escanteio cobrado por Pavón.

O volume do Imortal resultou em gol no minuto seguinte. Amuzu recebeu pela esquerda, cortou pra dentro e bateu prensado. Carlos Vinícius mostrou oportunismo dentro da área para abrir o placar. O São Paulo ainda buscou se instalar com a bola no campo de ataque até o fim da 1ª etapa, mas mostrava pouca desenvoltura para achar as combinações e fugir da marcação gaúcha.

Crespo agiu ainda no intervalo. Desfez o esquema com três zagueiros. Sacou Alan Franco para a entrada de Lucas. Alisson e Marcos Antônio seguiram como volantes. Lucas e Rodriguinho fizeram uma dupla de meias. Assim como já havia ocorrido em partidas recentes de troca de esquema tático, o São Paulo não teve criatividade e se expôs bastante aos ataques adversários.

Em menos de dez minutos o Grêmio já tinha chegado com perigo três vezes, a maioria em ataques rápidos. O São Paulo acumulava muitos jogadores pela faixa central e não apresentava coordenação para achar as combinações. Tinha pouco volume pelos flancos. Mantinha uma posse estéril.

Edenílson, que já tinha atuado bem na 1ª etapa, subiu de produção com espaços para atacar e sofreu um pênalti de Sabino. Carlos Vinícius converteu. Amuzu foi outro a seguir se destacando bastante no cenário.

Ferreira entrou no lugar do apagadíssimo Rodriguinho. Luiz Gustavo também foi a campo na vaga de Tapia. Marcos Antônio ganhou mais liberdade e Ferreira aumentou a mobilidade do ataque paulista. Foi uma opção interessante a partir do lado esquerdo. Em 15 minutos no gramado, participou de três ataques interessantes.

O Grêmio, por sua vez, não deixou de atacar. Já com Cristaldo e Cristian Olivera nos lugares de Carlos Vinícius e Amuzu, levou perigo com a dupla que saiu do banco de reservas. Pavon manteve a regularidade com boas ações e assistências. Rafael impediu que o placar se alterasse mais uma vez.

Arthur se destacou bastante na manutenção da posse de bola e distribuiu bons passes a partir dos dez minutos do 1º tempo. Deu lugar a Cuellar já na reta final do jogo. Edenilson também foi sacado para a entrada de Gustavo Martins. Noriega foi jogar de volante e o time voltou a controlar as investidas ofensivas do adversário.

Quem foi mal e acabou sacado antes do término da partida foi Luciano. Rigoni entrou e pouco mudou o cenário de amplo domínio do Tricolor Gaúcho. O São Paulo ganhou apenas seis dos últimos 18 pontos disputados no Brasileirão e tem se distanciado cada vez mais da briga por vaga direta na Libertadores.



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