Após polêmica, CBF recebe aval da Fifa para divulgar áudios do VAR em lances sem revisão na cabine

Entidade que rege o futebol brasileiro anuncia medida dias depois de clássico paulista e pressão da diretoria do São Paulo, que ouviu diálogos de lances de possíveis expulsão e pênalti

| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE


Confusão em São Paulo x Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli

A CBF divulgou nesta quarta-feira que recebeu autorização da Fifa para divulgar áudios e vídeos de decisões tomadas pela equipe de arbitragem em lances considerados relevantes que não tenham tido revisão na cabine do VAR , chamados de "lances sem revisão protocolar".

A entidade consultou a Fifa sobre a possibilidade depois de grande pressão, principalmente do São Paulo, que se considerou amplamente prejudicado na derrota por 3 a 2 para o Palmeiras, neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro.

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Segundo a CBF, "os áudios e vídeos de lances sem revisão protocolar serão disponibilizados em até 24 horas após o término da partida, respeitando diretrizes técnicas e operacionais acordadas com a FIFA".

Membros da diretoria do São Paulo chegaram a ouvir nesta semana os áudios de lances capitais que não foram revisados na cabine no clássico, mas os diálogos não foram divulgados. A CBF não informou se a medida terá caráter retroativo, o que possibilitaria a exposição dessas conversas ao público em geral.

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– Desde o início da nossa gestão estamos atuando em problemas estruturais do futebol brasileiro, mexendo em questões que havia décadas demandavam mudanças. Já anunciamos o novo calendário do futebol masculino, estamos finalizando o do feminino e no mês que vem vamos divulgar as regras do fair play financeiro. A arbitragem está entre essas prioridades. Ampliamos agora a divulgação dos áudios, em nome da transparência. Vamos anunciar outras melhorias nas próximas semanas, integrando um plano de ação que já vem sendo elaborado desde que assumimos a CBF – afirmou Samir Xaud, presidente da entidade.

– Sempre consultamos a FIFA em questões que fogem à rotina: regras, resoluções, protocolos ou determinações da própria IFAB/FIFA. Nessa consulta argumentamos que apresentar as checagens de grande impacto, mesmo sem ida do árbitro à cabine, reforçaria a integridade de nossas competições. Recebemos a liberação, para fins de instrução e transparência – esclareceu Rodrigo Cintra, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

São Paulo foi à CBF

Na segunda-feira, após protestos são-paulinos, cartolas do clube participaram de uma reunião virtual com a cúpula da Comissão Nacional de Arbitragem.

Nesse encontro, puderam ouvir parte da comunicação entre o árbitro Ramon Abatti Abel e o VAR Ilbert Estevam da SIlva. Um dos momentos que gerou mais reclamação foi no lance em que Allan derruba Tapia dentro da área. O relato é de que Ramon Abattti Abel foi conclusivo ao detalhar:

– Escorregão, escorregão! Não tem bola em disputa – afirmou o árbitro logo após o lance, segundo os relatos.

Os membros do VAR, então, depois de alguma discussão sobre o lance, decidem que a decisão de campo é soberana e não recomendam a revisão.

Uma postura que foi criticada pelo São Paulo na reunião. Neste caso, a Comissão Nacional de Arbitragem teria concordado que houve erro, por isso o afastamento dos profissionais para um período de reciclagem.

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O mesmo acontecu no lance em que o Tricolor pediu a expulsão de Andreas Pereira por entrada em Marcos Antônio. Neste caso, Ramon aplicou amarelo, explicou sua decisão e também não foi chamado ao VAR.

O São Paulo pedia que os áudios relacionados a cinco lances polêmicos fossem divulgados ao público.

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Embora não exista um veto ao nome de Ramon Abatti Abel para escalações futuras, o clube acredita que a CBF terá o bom senso de não mais colocar o profissional para apitar seus jogos.



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