Gabrielzinho é tricampeão dos 200m livre e chega a oito ouros em Mundiais de natação paralímpica

Campeão paralímpico mantém 100% em sua classe em Mundiais, e Brasil quebra recorde mundial no revezamento 4x100m medley misto para pessoas com deficiências visuais

| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE


Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, no Mundial de natação paralímpica — Foto: Wander Roberto/CPB

Teve dancinha de Gabriel Araújo no topo do pódio do Mundial de natação paralímpica. Nesta quarta-feira, o campeão paralímpico faturou o tri mundial dos 200m livre S2, com direito a recorde da competição. Ele foi um dos destaques do Brasil junto com o revezamento 4x100m medley misto para pessoas com deficiência visual. O quarteto formado por Carol Santiago, Guilherme Batista, Thomaz Matera e Lucilene Sousa quebrou o recorde mundial para faturar o ouro.

O Brasil ainda conquistou mais três pratas e um bronze no quarto dia na piscina de Singapura, com Talisson Glock (400m livre S6), Mariana Gesteira (100m livre S9), revezamento 4x100m livre para pessoas com deficiência intelectual (Gabriel Bandeira, Ana Karolina Oliveira, Arthur Xavier e Beatriz Carneiro) e Lídia Cruz (50m costas S4). Com os seis pódios da quarta-feira, o Brasil se manteve na quarta posição do quadro de medalhas, com oito ouros, 11 pratas e seis bronzes, atrás de China, Itália e Grã-Bretanha.

O sportv 3 transmite ao vivo as finais do Mundial de natação paralímpica.

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100% Gabrielzinho em Mundiais

Gabrielzinho manteve o 100% de aproveitamento em Mundiais na classe S2 - ele sobe em algumas provas para a classe S3, categoria com nadadores com menor comprometimento físico-motor. O nadador de 23 anos quebrou o próprio recorde do campeonato com o tempo de 3min58s45 - a marca anterior era de 3min59s06.

- Foi sensacional. Mais um ouro, mais um recorde. Tô muito feliz. Mostra que eu estou no caminho certo e muito rápido. Jamais esperava nadar próximo do que estava nadando em Paris. Mais uma prova na conta do Careca - disse Gabrielzinho, creditando o título ao técnico Fábio Antunes.

O tricampeonato dos 200m livre S2 seguiu a estratégia dos outros Mundiais e Paralimpíadas. O brasileiro nadou sua adaptação do estilo crawl a primeira metade da prova. Trocou para o nado costas na terceira piscina para começar a desgarrar do russo Vladimir Danilenko. Voltou ao crawl na última piscina e sobrou. O chileno Alberto Diaz completou o pódio, e o brasileiro Bruno Becker foi o quarto colocado.

- Foi uma prova diferente de todas que já nadei. Mostra o que é um trabalho bem feito, um planejamento bem feito. Neste ano, tive muitos problemas de encaixar o nado no treino, mas foi chegando o Mundial, e a gente foi encaixando, foi ficando tudo perfeito. Nesse período de treinos, o Fábio sempre falou pra mim: "Tá ruim. Você se vira e resolve. Dá teu jeito". Confio muito em mim e nele. Era uma prova que poderia ter saído do controle, mas eu estava muito bem preparado. O mérito é da equipe, principalmente do Fábio. Não estava no planejado virar de costas para essa prova, mas sei os atalhos, sei os caminhos para essa prova. O tempo veio - disse Gabrielzinho.

Na quinta-feira, o campeão paralímpico sobe para a classe S3 para a disputa dos 50m livre, prova que não está no programa da classe S2. Na sexta, Gabrielzinho volta para sua categoria para buscar o tricampeonato mundial nos 50m costas.

Ouro e recorde do revezamento medley

Carol Santiago conquistou o terceiro ouro no Mundial de Singapura. A campeã paralímpica desta vez teve a companhia de Guilherme Batista, Thomaz Matera e Lucilene Sousa no topo do pódio. O quarteto brasileiro fez uma grande prova e quebrou o recorde mundial do revezamento 4x100m medley misto 49 pontos (para pessoas com deficiências visuais): 4min23s48, superando a marca de 4min25s78 da Ucrânia.

Carol abriu o revezamento do Brasil no nado costas com tempo melhor do que lhe garantiu o ouro da prova individual em Singapura, entregando na segunda posição, atrás do Japão, que abriu com um homem. Guilherme colocou o Brasil na liderança no nado peito, ainda com a Espanha na cola. Thomaz abriu vantagem no nado borboleta, e Lucilene segurou a primeira colocação no nado livre. Espanha foi prata, e o Japão foi bronze.

Brasil é prata no revezamento 4x100m livre S14

O segundo revezamento faturou uma prata para o Brasil. Travando um duelo direto com a Grã-Bretanha pela terceira posição do quadro de medalhas, os brasileiros não conseguiram superar os favoritos ao ouro no 4x100m livre misto S14 (classe para pessoas com deficiência intelectual). Gabriel Bandeira, Ana Karolina Oliveira, Arthur Xavier e Beatriz Carneiro quebraram o recorde das Américas com o tempo de 3min45s36. Só que os britânicos quebraram o recorde do campeonato, com 3min41s14.

Talisson é prata

Atual bicampeão paralímpico dos 400m livre S6 (classe para pessoas com comprometimento físico-motor), Talisson Glock ficou com a prata na prova em que é especialista. O nadador de 30 anos, que optou por pisar no freio na temporada 2025, completou os 400m em 5min00s99, atrás apenas do italiano Antonio Fantin, com 4min52s61. Talisson foi atropelado aos nove anos por um trem e perdeu o braço e a perna esquerdos.

Mariana é prata

Mariana Gesteira estreou em Singapura com uma medalha de prata nos 100m livre S9 (classe para pessoas com comprometimento físico-motor). A nadadora de 30 anos, que está no pódio da prova desde os Jogos de Tóquio, repetiu a posição do último Mundial, completando a prova em 1min01s64, atrás apenas da australiana Alexa Leary. A canadense Mary Jibb fechou o pódio. Mariana nasceu com Síndrome de Arnold-Chiari, uma má-formação do sistema nervoso central que afeta a coordenação e equilíbrio.

Lídia é bronze

Bronze nas Paralimpíadas de Paris nos 50m costas S4 (classe parar pessoas com comprometimento físico-motor), Lídia Cruz repetiu o resultado em Singapura. A nadadora de 27 anos completou a prova em 50s51 e ficou atrás da russa Anastasiia Goncharova (49s27) e da americana Katie Kubiak, campeã batendo o próprio recorde mundial: 42s66 - a antiga melhor marca era 44s13. Assim, Lídia chegou à terceira medalha neste Mundial - também conquistou uma prata no revezamento 4x50m livre misto 20 pontos e bronze nos 100m livre S4. Lídia nasceu com mielomeningocele, uma má-formação na coluna, e foi diagnosticada com paraparesia espástica e distonia segmentar aos 15 anos, condições neurológicas que afetaram movimentos de pernas e braços.



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